Monday, September 25, 2006

Quem matou o amor?




Era uma vez, na história do Mundo, um dia terrível, em que o Ódio - rei dos maus sentimentos, dos defeitos e das más virtudes - convocou uma reunião com todos os seus súditos.
Todos os sentimentos escuros do Mundo e os desejos mais perversos do coração humano chegaram a essa reunião com muita curiosidade, porque queriam saber qual o motivo de tanta urgência. Quando todos já estavam presentes, falou o Ódio: - Reuni-os aqui porque desejo, com todas as minhas forças, matar alguém! Ninguém estranhou muito, pois era o Ódio quem estava falando e ele queria sempre matar alguém, mas perguntaram-se quem seria tão difícil de matar que o Ódio necessitaria da ajuda de todos.
- Quero matar o Amor - disse o Ódio. Muitos sorriram com maldade, pois quase todos tinham a mesma vontade.
O primeiro voluntário foi o Mau Caráter: - Eu vou e podem ter certeza que num ano o Amor morrerá. Provocarei tal discórdia e raiva que não vai suportar.
Depois de um ano, reuniram-se outra vez e, ao escutar o relato de Mau Caráter, ficaram decepcionados.
- Sinto muito. Tentei de tudo, mas cada vez que eu semeava discórdia, o Amor superava e seguia o seu caminho.
Foi então que, rapidamente, ofereceu-se a Ambição para executar a tarefa. Fazendo jus do seu poder, disse:
- Já que o Mau Caráter fracassou, irei eu. Desviarei a atenção do Amor, com o desejo por riqueza e pelo poder. Isso ele nunca irá ignorar.
E começou, então, a Ambição o ataque contra a sua vítima. Efetivamente, o Amor caiu ferido. Mas, depois de lutar arduamente, curou-se. Renunciou a todo desejo exagerado de poder e triunfou.
Furioso com o novo fracasso, o Ódio enviou os Ciúmes. Estes bufões perversos inventaram todo o tipo de artimanhas e situações para confundir o Amor. Atacaram-o com dúvidas e suspeitas infundadas.
Porém, mesmo confuso, o Amor chorou e pensou que não queria morrer.
Com valentia e força se impôs sobre eles e os venceu. Ano após ano, o Ódio seguiu a sua luta, enviando a Frieza, o Egoísmo, a Indiferença, a Pobreza, a Doença e muitos outros. Todos fracassavam sempre.
O Ódio, convencido de que o Amor era invencível, disse isso aos demais: - Nada podemos fazer. O Amor suportou tudo. Levámos muitos anos insistindo e não conseguimos.
De repente, de um cantinho do auditório, levantou-se um sentimento pouco conhecido e que se vestia todo de preto. Com um chapéu gigante, ele mantinha o rosto tapado. Seu aspecto era fúnebre como o da morte. - Eu matarei o Amor - disse com segurança. Todos se perguntaram quem seria esse pretensioso que, sozinho, pretendia fazer o que nenhum deles havia conseguido. O Ódio ordenou: - Vá e faça!
Tinha passado pouco tempo quando o Ódio voltou a convocar a todos para comunicar que finalmente o Amor havia morrido. Todos estavam felizes, mas também surpresos. E o sentimento do chapéu preto falou: - Aqui eu entrego a vocês o Amor totalmente morto e esquartejado. E sem dizer mais palavra, encaminhou-se para a saída.
- Espera! - determinou o Ódio, dizendo: - Em tão pouco tempo você o eliminou completamente, deixando-o desesperado e, por isso mesmo, ele não fez o menor esforço para viver! Quem é você afinal?
O sentimento pela primeira vez levantou o seu horrível rosto e disse: - Sou a Rotina...

Texto enviado pela minha mana Ana Ferreira

1 Comments:

Blogger Pedro Antunes said...

História linda, tal como a autora do Blog e ao mesmo tempo triste, tal como me sinto sempre que estou longe dela.
Amo-te Xaninha

6:43 AM  

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